(Português do Brasil)
Por Thailla Torres | Campo Grande News - 12/05/2025

Para muitas mulheres, esse retorno ao trabalho é marcado por silêncio e inseguran?as, mas para Giovana foi diferente. (Foto: Arquivo Pessoal).
.
A volta ao trabalho depois da licen?a-maternidade nem sempre é como deveria ser: um recome?o com acolhimento, respeito e espa?o para seguir em frente com a carreira enquanto se aprende a ser m?e. Para muitas mulheres, esse retorno é marcado por silêncio, inseguran?a ou, em alguns casos, pelo aviso de demiss?o. Mas a história de Giovana Vaz Moura Tomiazzi, de 31 anos, foi diferente. E por isso merece ser contada.
.
Giovana trabalha desde 2021 na 网曝吃瓜 Brasil, em ?gua Clara, no setor de silvicultura. Come?ou como assistente administrativa e, como tantas outras mulheres, viu a vida mudar com a chegada da maternidade. Quando descobriu a gravidez da Heloísa, hoje com 1 ano e seis meses, vieram também as dúvidas. Mais do que pensar nos enjoos ou nas trocas de fralda, ela se perguntava como seria recebida no trabalho.
.
“Desde o come?o da gesta??o eu comecei a refletir de como seria conciliar o trabalho, a gesta??o, a maternidade e depois como seria o retorno às fun??es profissionais com um bebê em casa. Foi um misto de sentimentos. Mas sem demorar muito eu fui percebendo o quanto a empresa se importava comigo. O quanto todos ficaram felizes com a notícia, a preocupa??o com o meu bem-estar e n?o houve nenhum tipo de julgamento, discrimina??o, nada. E todas as vezes que precisei me ausentar para exames, fui muito bem compreendida”, conta.
.
Durante o pré-natal, ela teve acompanhamento médico por meio do programa Gerar, oferecido pela empresa, além de consultas particulares. Segundo Giovana, os atendimentos foram igualmente cuidadosos. Nos últimos dias da gravidez, ela p?de trabalhar em home office, perto da m?e e da família. Um detalhe que fez diferen?a quando a filha chegou.
.
Meses depois, chegou também o momento do retorno. Voltar, reencontrar colegas, rever rotinas. Tudo isso enquanto deixava a filha pela primeira vez para trás, mesmo que por algumas horas. Mas ali, no escritório, a espera n?o foi fria nem impessoal.
.
“No primeiro dia de retorno ao trabalho, quando eu chego ao escritório, que eu olho para a minha mesa, tinha um bal?o de boas-vindas, em formato de cora??o, um porta-retrato da minha filha e uma cartinha de uma filha para m?e, como se a Heloísa tivesse escrito para mim. Eu n?o consegui nem ler a carta e fiquei muito emocionada com a demonstra??o de carinho e da import?ncia que a empresa tinha por mim”, lembra.
.

A recep??o calorosa da equipe trouxe para Giovana a sensa??o de que ela ainda pertencia à empresa.
.
N?o foi só o afeto que a esperava. Veio também o reconhecimento. Giovana voltou de licen?a e foi promovida a líder de opera??es florestais. Um gesto que, além de valorizá-la profissionalmente, trouxe uma mensagem clara: ela ainda pertencia.
.
“Também foi algo que me marcou bastante. Muitas vezes ouvimos casos de mulheres que foram demitidas após o período de licen?a-maternidade e na 网曝吃瓜 é o contrário! A minha promo??o n?o teve somente o significado de que eu estou tendo sucesso na minha carreira profissional, desempenhando o que eles esperam, mas acima de tudo, de que eles acreditam no meu potencial. Voltei e a minha cadeira estava lá! Fui surpreendida das melhores formas possíveis, com a lembran?a da minha filha, com a promo??o por mérito, com a recep??o das pessoas falando que eu fiz falta. Sem dúvidas, isso tudo me motiva, faz com que a gente entenda que está no caminho certo e na empresa certa!”, conclui.
.
E o que diz a lei? – No Brasil, a mulher tem direito à estabilidade no emprego desde o início da gravidez até cinco meses após o parto. Isso significa que ela n?o pode ser demitida sem justa causa nesse período – o que inclui o tempo da licen?a-maternidade e um tempo após o retorno ao trabalho. Depois disso, a estabilidade termina e, infelizmente, algumas empresas usam esse limite como pretexto para desligamentos. Essa prática, ainda que legal do ponto de vista do prazo, levanta quest?es sobre ética, empatia e igualdade no mercado de trabalho. Afinal, que tipo de empresa considera a maternidade um obstáculo?
.
Fonte: https://www.campograndenews.com.br/lado-b/comportamento-23-08-2011-08/contra-a-mare-empresa-promove-mae-apos-a-licenca-maternidade